A negociação do Campeonato Brasileiro de Futebol, um grande jogo de várzea

Brasileirão

As negociações dos direitos de transmissão para Tv aberta do campeonato Brasileiro de Futebol, o Brasileirão, tem mostrado como anda a gestão profissional do esporte no Brasil, embora os valores sejam significativos para os clubes os cartolas se comportam como amadores.

Primeiro porque criam uma entidade que representaria os direitos de negociação do campeonato, o Clube dos 13, num acordo de distribuição de renda desigual, onde os 4 grandes receberiam bem mais que os outros clubes, isso já cria um motivo de descontentamento entre os membros menos favorecidos, aí você me diz, que é por causa da arrecadação, que os clubes grandes geram maior audiência, mais visibilidade, blá blá blá…

Pense comigo, o campeonato é um espetáculo proporcionado por todos os times que dele participam, seja ele grande ou pequeno. Porque não elaboraram um contrato mais justo, que causaria menos descontentamento e manteria uma coesão maior entre o grupo? Por exemplo, determinassem cotas iguais e um valor variável, por desempenho, que consideraria alguns fatores como bilheteria, resultados, audiência, etc, o que importa é que seria gerado um mecanismo de meritocracia, conforme os times fossem avançando no campeonato, gerando mais resultados, receberiam mais, isto é sua remuneração variável  estaria atrelada aos resultados, assim, não só os times (grandes) que geram as maiores audiências seriam remunerados, mas também os times menores que chegassem as fases finais, você criaria condições e motivações para os times jogarem melhor e serem recompensados por isso, tô viajando?? No mundo corporativo não é assim?

Futebol BrasileirãoO fato é que de um lado o Clube dos 13 com seu contrato vulnerável, pois os clubes maiores já pularam fora e estão negociando individualmente os valores com as emissoras, embora a curto prazo possa ser interessante para estes, para o campeonato isso é muito ruim porque os outros times não conseguirão acordos que seriam melhores via Clube dos 13. A tendência é que os times menores tenham dificuldades em se manter  e fazer novas contratações, com isso a atratividade do espetáculo cai e também sua audiência porque ninguém gosta de assistir a jogo ruim.

AsTvs por outro lado sabem que o esporte é um grande gerador de receitas, e exploram essa fraqueza na representação dos clubes ao máximo, seduzindo com suas propostas individuais, claro apenas uns 5 ou seis times, no final das contas ela quer é pagar menos e faturar mais, justo, o mundo dos negócios é assim, ela compra o evento esportivo e usa os direitos de explora-lo, incluindo aí os custos de aquisição dos direitos de transmissão.

Enquanto segue tudo indefinido, assistimos essa grande partida de várzea, que é a negociação do Brasileirão, e como não bastasse o Senado, que quase não tem o que fazer…ainda quer meter o pitaco.

Para você entender um pouco mais transcrevi abaixo o texto publicado ontem sobre o assunto:

“A novela sobre os direitos de transmissão para as próximas edições do Campeonato Brasileiro de Futebol teve uma terça-feira agitada. Nos últimos capítulos, Coritiba e Cruzeiro, Vitória e Corinthians anunciaram oficialmente que já negociaram seus contratos com a Rede Globo.

A decisão coloca por terra a licitação realizada pelo Clube dos 13 na semana retrasada, quando a RedeTV ofereceu R$ 516 milhões aos clubes, e a esperança da Record em contar com os principais times – a emissora registrou em cartório uma proposta de R$ 100 milhões pela transmissão dos jogos de Corinthians e Flamengo como mandante.

O anúncio do Corinthians, que afirmou em seu site oficial ter “a certeza de que assinou o melhor contrato da história do clube de Parque São Jorge”, que fez a escolha não apenas por “fatores financeiros” mas também pelos “aspectos técnicos” e que “a proposta pública feita pela TV Record exige do Corinthians algo que, segundo a lei vigente, o clube não tem o direito de comercializar”, gerou uma resposta da emissora de Edir Macedo.

Nele, a Record afirma “surpresa diante da informação”, salientou o fato do clube ter assinado um contrato por “um valor não relevado”, critica a “suposta cortina de fumaça da dita confidencialidade” – já que os clubes e a Globo afirmam que não irão revelar os valores da negociação – e que “novamente, fomos surpreendidos pela alegação do clube paulista de que nossa proposta de R$ 100 milhões pelos direitos de transmissão em televisão aberta por cinco anos poderia ferir a legislação atual”.

O Senado Federal não ficou de fora: um requerimento da senadora Lídice da Mata (PSB/BA) foi aprovado pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) da Casa. Com isso, uma audiência pública, ainda sem data definidia, debaterá o tema, com a presença de executivos do esporte e dos grupos de mídia. “Precisamos tentar exercer o papel de mediadores”, sugeriu a senadora.

Depois de tantos fatos, a expectativa recaiu sobre o Clube dos 13. Novos envelopes, com as propostas para plataformas de TV fechada, pay-per-view, internet e telefonia celular, seriam abertos nesta quarta-feira 23. Mas o grupo resolveu adiar a reunião, “para evitar que a licitação fosse realizada sob circunstância economicamente desfavorável aos interesses dos nossos associados e dos torcedores brasileiros”.

No comunicado, ainda, afirma que “a entidade reitera publicamente sua preocupação de cumprir fielmente o Termo de Compromisso de Cessação celebrado com o Cade em outubro passado” e que “o próximo passo do Clube dos 13 será cumprir seu dever de oficialmente informar ao Cade e às autoridades públicas competentes todos os passos tomados para promover a livre concorrência entre as empresas que desejem participar desse importante processo para valorizar o futebol no Brasil, inviabilizado neste momento por conta da censurável conduta da Rede Globo de boicotar a licitação e procurar os clubes individualmente”.

Por último, um suspiro da entidade: “a entidade renova sua esperança de que as autoridades restabelecerão a ordem e exigirão dos responsáveis pela lamentável exposição negativa de nossa maior paixão as respostas que a sociedade brasileira ansiosamente espera”.
Agora é esperar os novos capítulos, quando mais clubes decidirem – ou não – acertarem seus contratos com a Globo ou com a Record.”

Fonte Meio e Mensagem

É isso aí meus amigos e que venha a Copa…

Abrs,

Luis Carlos De Santana.

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